Retratos literários

Li numa matéria do El País a frase Los retratos literários de Mordzinski, e pensei que frase nenhuma poderia traduzir melhor o que senti ao caminhar pela sala Cronópios do Centro Cultural Recoleta. Cada quadro que via, me produzia uma reação quase sempre distinta. Pensava em palavras para cada quadro, cada olhar. Simpatia, solidão, simetria, casa, intimidade, Europa, frio, perto, e tantas outras que agora não recordo. Acho que no sexto quadro decidi instintivamente que precisava de uma palavra para cada retrato e que só poderia me mover depois de a encontrar na minha mente.

Com o encerramento de um dos freelas, sobra-me ainda mais tempo. É uma sensação estranha não ter que trabalhar mais que algumas poucas horas por dia, e ter tantas horas para ler, ir ao cinema, estudar espanhol e escrever. E estar aqui vivendo alguma boemia, visitando livrarias de bairro, criando listas de livros a ler. Ainda assim, quando encaro o laptop e procuro as palavras certas naquelas teclas, quase tudo me soa indevido. Simpatia, solidão, simetria, casa, intimidade, Europa, frio, perto. Onde será que encontro as minhas próprias palavras?

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