Blooog me

todos por um

Crossroad

Acordei e era segunda-feira, e pensei que eu não queria aqueles 2 graus que faziam lá fora, e que eu não queria o chocolate quente e o abraço gelado da rua e as mãos enfiadas em luvas que não protegem da indecisão dos dias.

Os dedos discaram um número e alguém disse Hello, e quando me dei conta já estava num avião da TAM, que me trouxe para Sampa, sem me perguntar se era isso mesmo o que eu queria. A aeromoça apenas sorriu e disse bem-vindo, assim como o oficial da imigração. Meus pés seguiram os caminhos mais lógicos, souberam pisar os caminhos habituais, meus pés nunca esqueceram como voltar.

Agora, vejo as ruas com olhos que nunca tive. Sinto que cresci. A cidade me parece possível outra vez, apesar da desnecessária quantidade de pessoas em Sampa, apesar do calor excessivo de Salvador. Possível.

Os olhos registram tudo com ares de noviço, não sou mais eu quem está aqui. É um outro. Desconheço-me, já não sei sorri para estranhos, já não sou daqui, as pessoas dizem que eu não pareço ser daqui. Eu não sou de lugar nenhum. Os meus pés seguem pisando e eu não sei se cheguei ou se devo continuar. Parece que qualquer lugar é um cruzamento entre onde estive e onde estou. Olho para os lados e o único movimento devido é o meu. E então, o silêncio.

how to be famous

Desilusão

Não sei se é mais duro saber que não está em mim ou que não está em você. Talvez em ambos. Eu quis transformar este sentimento em algo real, regá-lo com a esperança de que ele crescesse, depois de ter dessistido desse lance de amor. Mas, então, o destino bateu na minha cara e cuspiu sobre as lágrimas que caíram, deixando tudo confuso. Mas uma vez, só me restou um suspiro de desilusão, como se outra vez a impossibilidade do amor viesse me relembrar da sua constante mão no meu ombro. Me dói não te amar e não poder parar de pensar em você. Me dói não te amar e não aceitar te perder. Me dói saber que o que há entre nós é algo puro mas não é verdade. Não absoluta. Me dói muito.

Andei por baixo da chuva inundando os sentimentos na cabeça que por mais completa de pensamentos, não transborda. O mundo pesou. Andei por baixo. Da minha própria chuva. A gente fica resistente ao amor, depois de tantos tombos, depois de ouvir frases que machucam não pelas palavras em si, mas porque entendemos tudo o que deixou de ser dito. Eu não entendo mais. Então, por favor perca a sua calma educada e grite na minha cara que não me ama, que tudo não passou de um quase.

Diga algo que me desmonte, que me liberte, que me aranque deste estado de não saber. Eu acho que sei o que é mais duro, pensando bem. É não estar em você. É estar em mim de uma forma que não posso chamar de amor – piegas, que seja. Me dói saber que quase aconteceu, como um sopro que apaga as velas.

ausência

é sinal de quê?

the broken mirror

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